"A mente que se abre a uma nova idéia jamais volta ao seu tamanho original."
(Albert Einstein)

17 de out de 2010

os dias passam, as horas se vão, parece que tudo passa por mim e eu não consigo alcançar. tudo se torna tão frio, tão restrito, tão insuficiente, comparado a tudo aquilo que eu um dia sonhei em ter. as pessoas mudam, escolhem, vivem de maneira diferente da qual um dia eu conheci. parece que me tiraram o chão. tiraram a minha base, eu já não tenho onde me equilibrar, onde me manter firme. eu quero fugir. eu sempre quis fugir. mas, fugir para onde? em todos os lugares que você for, em todos os lugar que você visitar, por onde você andar, eu sei, você saberá, as pessoas não mudam. as pessoas são iguais. são fúteis, ignorantes, dão valor a coisas insignificantes, vivem em mundos sujos, porcos, imundos. as pessoas e a sua aparência. as pessoas e as suas relações sociais. as pessoas e as suas máscaras. as pessoas e os estilos de vida. as pessoas e as suas riquezas. as pessoas e as sua roupas. as pessoas e as suas bens. as pessoas e as suas escolhas. que escolha você fez? que eu escolha eu fiz? um segundo, dois segundos, três segundos, um minuto, dois minutos, três minutos, uma hora, um dia, e tudo volta ao princípio. é tudo um ciclo. um ciclo de relações desgastadas, defeituosas, doídas, dolorosas que não se cessam, não param, correm soltas desde os primórdios até o dia de hoje. são as mesmas pessoas. as pessoas não mudaram, não mudam. passam-se anos, séculos, eras e tudo continua igual. as mesmas pessoas. mas mesmas relações. o mesmo ciclo. eu quero fugir. já disse que queria fugir? eu quero viver sem ter relações com pessoas. porque, as pessoas são iguais. não mudam. elas tem sempre a oportunidade de escolher, mas escolhem sempre as mesmas coisas. eu não. eu não quero escolher isso também. eu não quero viver assim..eu não vou viver assim. venha, me leve embora logo! e deixe que esse pesadelo acabe logo.

3 de out de 2010

não há tempo
não há distância
não há lugar
não há mundo
não há aparências
não há céu
não há nada.
a única coisa que vive é o vazio.
o único lugar que sobrevivo é o vácuo
o silêncio
escondido de toda a lama e toda sujeira de um lugar chamado Planeta Terra
eu vivo no mundo dos esquecidos
dos renegados
dos exilados
dos não amados
dos feridos
dos sofridos
e como eu digo eu não vivo, eu sobrevivo
sobrevivo aos dias, horas, minutos, segundos
aos séculos....
aos milênios
sim, eu sou eterno.
e sou o único por aqui.
aqui, jamais ninguém ousou entrar
nesse meu mundo, nesse meu imaginário
aprendi a ser só
aprendi a assumir toda e qualquer responsabilidade
aprendi......aprendi? o que eu aprendi?
será que eu aprendi alguma coisa ou criei uma maneira de sobreviver a tudo isto?
os dias passam, não há tempo
não há esperança.
eu sei, eu nunca sairei daqui.
aqui é o meu lugar.
o lugar dos esquecidos, abandonados, traídos, machucados, assassinados....
você quer vir me visitar?
uma visita?
não, não estou acostumada com essas coisas...
não sei se vou conseguir te receber bem..
você está a vontade?
você precisa de alguma coisa?
oooh, eu posso te sentir..
eu posso te beijar...
eu posso te tocar...
que sensação diferente, você vai estar sempre comigo? sempre?
meu coração palpita
minhas mãos tremem
que loucura é essa?
o vazio, não é mais vazio...
este lugar não está mais esquecido
ele é lembrado,
lembrado por você.
oi você! você?
cadê você, você?
você?
você não quer mais vir me visitar?
você já não quer mais estar comigo?
você foi embora.
você se foi.
será que você morreu?
não, você não quer mais estar comigo.
e tudo volta ao mesmo vazio de antes.
a escuridão
aos monstros
ao lugar esquecido e abandonado.
leva a mim mesma.
no mais obscuro e intimo do meu ser.
leva ao meu eu.
há quem sou
sem rótulos
sem máscaras
sem desculpas
sem nada.
me leva ao nada.
o nada sou eu.
eu sou nada.
um mar escuro e sujo num vazio de horrores.